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domingo, 12 de janeiro de 2014

Do original ao remake: Cuidado con el ángel


Que os melodramas escritos pela cubana Delia Fiallo são os mais famosos na história das telenovelas na América Latina e no restante do mundo, onde são transmitidos, todos sabem. E um deles foi Una muchacha llamada Milagros, telenovela exibida pela Venevisión em 1974 e produzida por José Crousillat, quem colocou em cena Rebeca González, José Bardina e José Luis Rodríguez, sendo uma das histórias mais longas da televisão na época, contanto com 229 episódios.

Com esta história, Delia Fiallo ingressou na categoria das telenovelas didáticas, muito populares ao final dos anos 70, mas, com ela, também criou seu primeiro herói estuprador. O dramalhão contava a história de Juan Miguel Zaldivar (José Bardina), um prestigioso psiquiatra dedicado à reabilitação de jovens rebeldes e delinquentes, que encontrava nesse trabalho o consolo para o vazio que sentia em seu casamento com a frívola Viviana (Nury Flores), e também para o remorso por um crime cometido em sua juventude.

Certa noite, há alguns anos atrás, Juan Miguel, bêbado, abusou de uma garota. O destino fazia com que mais adiante descobrisse entre suas pacientes a jovem Milagros (Rebeca González), a vítima de sua agressão. Ela não o reconhecia e ele, empenhado em reabilitá-la, a levava para morar com o juiz Clemente Ruiz (José Oliva). Cecilia, a esposa do juiz, não se agradava em ter Milagros com ela, já que isso incomodava Mónica (Haydee Balza), a suposta filha perdida que ela e seu esposo tinham acabado de reencontrar.

Viviana morria em um naufrágio e Mónica iniciava um romance com Juan Miguel, e ao descobrir que ele amava Milagros, tratava de prejudicá-la, acusando-a de roubo. Seus pais acreditavam na mentira, mas Juan Miguel decidia casar-se com Milagros. Em sua noite de núpcias, e justamente após fazerem amor, Milagros recuperava a memória e reconhecia em seu marido o estuprador que a violou no passado.

Esta história deu o que falar e superou a audiência de Peregrina (que originou Kassadra), telenovela que Rebeca González e José Bardina haviam protagonizado um ano antes, também original de Delia Fiallo. Para os que a viram a recordam como uma das primeiras telenovelas de estilo juvenil. Nela se retratava a vida da juventude dos anos setenta, quando se estava em moda a cultura e o estilo da vida hippie.

Durante as gravações, sua protagonista ficou grávida e esta situação teve que ser incorporada à trama até o término de sua gravidez. Coincidentemente, a atriz deu a luz na vida real no mesmo dia em que sua personagem na exibição do capítulo da telenovela. Muitos ainda se lembram de dois personagens marcantes: um interpretado por José Luis Rodríguez, como Omar Contreras, a quem apelidavam de “El Puma”, apelido este que acompanha o ator e cantor desde então até hoje, e uma mulher de dupla personalidade Irene/Giovana, interpretada por Ivonne Attas, que foram os papéis de maior popularidade nesta história.

Treze anos depois, em 1987, esta mesma história voltaria às telinhas, mas com os protagonistas Catherine Fulop, recém-finalista do Miss Venezuela da época, e Miguel Alcántara, com o título Mi amada Beatriz, sob a adaptação de Benilde Ávila. Produzida pela RCTV, também da Venezuela, tornou-se a porta para o lançamento de várias figuras juvenis que logo após conquistaram papéis estelares, como Marlene Maseda, Milena Santander, Adolfo Cubas e a Miss Mundo 1984, Astrid Carolina Herrera.

Com grande difusão no exterior, Mi amada Beatriz foi bastante criticada porque a imprensa venezuelana fazia constantes comparações com os atores originais. Inclusive, Fulop se negou a dar entrevistas aos meios nacionais e internacionais. Enquanto que seu co-protagonista, Miguel Alcántara, recebeu diversos elogios por sua atuação. El hombre que yo amo, canção que identificava esta telenovela, na voz de Caridad Canelón, também marcou época e colheu os mesmos triunfos que a telenovela.

A história retratava a vida de Beatriz (Catherine Fulop), uma bela garota, muito alegre e trabalhadora, que quando recém-nascida foi entregue por sua mãe, Maruja (Marisela Berti), ao padre Amado Quintana (Carlos Márquez). A vida de Maruja estava em risco e para não deixar sua filha desamparada, decidiu entregá-la ao sacerdote. Mesmo não tendo morrido, ela nunca mais soube o paradeiro de sua filha, por sua vez, Beatriz cresceu sob os cuidados do sacerdote.

Certo dia, quando Beatriz ainda era adolescente, um grupo de rapazes delinquentes fazem com ela uma brincadeira de mau gosto, assustam e a estrupam. Um deles, Arturo Arismendi (Miguel Alcántara), estava disfarçado de Drácula. Beatriz consegue escapar do ataque e, desesperada, chega à casa de uma boa mulher chamada Miguelina (Rosario Prieto), que compadecida pela pobre garota, lhe permite morar em sua casa e chega a ser como a mãe de Beatriz. Após o ocorrido, a jovem passa a ter constantes pesadelos devido a esta terrível experiência e, sobretudo, não consegue esquecer a espantosa cara do Drácula.

Arturo, profundamente arrependido por sua má conduta no passado, volta a ver Beatriz, que nem imagina que ele é o homem que lhe causou tanto dano, e acaba se apaixonando por ele. Arturo, por sua vez, pensa em lhe contar toda a verdade, mas não pode porque também se apaixonou e não deseja perdê-la.

Em 2008, surge Cuidado con el ángel, a versão mexicana realizada pela Televisa. Adaptada por Carlos Romero e produzida por Natalie Lartilleux, contou com as atuações da atriz e cantora Maite Perroni, ex-RBD, e do modelo e ator cubano William Levy, conquistando o gosto do público e tornando-se uma das telenovelas com maior nível de audiência para o canal mexicano dos últimos tempos.

Sua história, que combinava todos os elementos que agradam ao público, junto a um elenco de destacadas figuras como Ana Patricia Rojo, Helena Rojo, Evita Muñoz, Ricardo Blume, Hector Gómez, Arturo Carmona, René Striker, Rocío Banquells, Laura Zapata, Nailea Norvin entre outros, foram os principais atrativos desta versão.

Apesar de os críticos garantirem que Maite não transmitia originalidade com sua atuação nesta história, Cuidado con el ángel obteve o mesmo sucesso que a original e grande parte do êxito recaiu sobre William Levy, que, anos mais tarde, voltaria a atuar ao lado de Maite em Triunfo del amor.

Em Cuidado con el ángel notou-se uma versão agilíssima, onde cenas que duravam três capítulos se condessavam em meia hora; a redução de subtramas juvenis e a suavização de determinados temas devido ao horário familiar também foram observados. Em troca, incluiu-se o tema paranormal de Mariana (Beatriz Aguirre), uma avó fantasma que habitava a mansão San Román, cuja única utilidade era contar histórias à filha do protagonista, Tininha (Sarai Meza), que em sua versão mexicana chamou-se Mayita.

No Brasil, foi grande a euforia dos fãs com a estreia de Cuidado com o anjo, seu título em português. Por aqui, a estreia esteve marcada por uma enorme expectativa e divulgação através das redes sociais, com temas que alcançaram os trending topics mundiais do Twitter.

Em Cuidado com o anjo, quando Malú (Maite Perroni) nasceu, sua mãe, acreditando estar à beira da morte, a entregou para um sacerdote que a levou até um orfanato. Aos catorze anos, Malú fugia e começava a vagar por todas as partes, ganhando a vida como podia. Os anos passavam e um dia ela era atacada por um bêbado, trauma que desde então a fazia sentir rancor pelos homens, além de ter se tornado a causa dos pesadelos que a desesperavam.

Candelária (Evita Muñoz “Chachita”), uma lavadeira, lhe dava abrigo e tornava-se uma mãe para Malú, que trabalhava no que podia para ajudá-la. Depois de ser metida em uma confusão, a jovem ia parar na delegacia, onde era jugada por seu próprio pai, sem ambos saberem sua relação, e defendida por João Miguel (William Levy), um psicanalista que ela nem imaginava que havia sido seu agressor.

A história de Cuidado com o anjo, cheia de intrigas, desamores, inveja e ódio, fez grande sucesso também nos Estados Unidos, onde alcançou grande aceitação por parte do público de língua espanhola. No México, o melodrama teve nomeações aos Prêmios TVyNovelas 2009, como Novela do Ano, Melhor Diretor de Câmeras, Melhor Primeira Atriz e Melhor Atriz Juvenil. E, graças ao apoio do público, Maite Perroni obteve seu primeiro troféu como Melhor Atriz Juvenil e Helena Rojo conquistou o prêmio de Melhor Primeira Atriz.
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