domingo, 5 de dezembro de 2010

Do original ao remake: Corazón salvaje


Por incrível que pareça, a história de Corazón salvaje chegou primeiro às telonas do que às telinhas da televisão mexicana. O romance entre Mónica Molnar e Juan del Diablo, estreou primeiramente nas salas de cinema em maio de 1956, trazendo Martha Roth, Rafael Bertrand, Christiane Martel e Carlos Navarro nos papéis principais. O filme, dirigido por Juan José Ortega, baseado no livro homônimo de Caridad Bravo Adams, contava, em um magnífico preto e branco, as andanças de um pirata e seu tormentoso amor com uma jovem do porto.

A primeira versão televisiva surgiu dez anos depois, em 1966, em Porto Rico, chamando-se Juan del Diablo, e tendo as atuações protagônicas de Braulio Castillo, como Juan del Diablo, de Gladys Rodríguez, como Mónica de Molnar, de Martita Martínez, como Aimeé e de José Yedra, como Renato, além de Gil Viera, Eva Alers, Mercedes Sicardó, David Ortiz e José de San Antón, nos papéis secundários. A telenovela foi exibida ao vivo pela Telemundo, Canal 2, alcançando um grande êxito e tornando-se um clássico que muitos ainda se lembram.

Por sua vez, Ernesto Alonso, quase que simultaneamente, também em 1966, levou ao México esta história quando a então heroína da moda, Julissa, justamente após triunfar com a versão original de La mentira, em 1965, da mesma autora e sobre a mesma produção do Senhor Telenovela, Ernesto Alonso, foi o par romântico do galã que, em 1967, ganhou um prêmio da crítica por seu excelente desempenho como Juan del Diablo: Enrique Lizalde, enquanto que Enrique Álvarez Félix e a ainda muito ativa Jacqueline Andere completavam o quarteto amoroso.

Gravada em 1966 pelo Telesistema Mexicano, atual Televisa, seu êxito foi imediato e até hoje é considerada como uma jóia das telenovelas, demonstrando, assim, que não se necessitam tantos recursos, nem efeitos especiais para se imortalizar uma história.

A trama se ambientava na ilha caribenha de Martinica, a princípio do século 20, e contava a história de Juan del Diablo (Enrique Lizalde), que cresceu como um menino selvagem, sendo criado por seu padrasto (Manolo García), que o maltratava por ser filho bastardo de sua esposa, uma aristocrata já falecida. Quando seu padrasto morre, Juan é levado para a casa de seu verdadeiro pai, que se dá conta de que ele é seu filho. Seu pai fica doente e deixa uma carta com o desejo de dar a Juan seu sobrenome, mas sua esposa a esconde. Juan é tratado como um criado. Anos mais tarde, foge da fazenda de seu pai e torna-se contrabandista.

A Condessa de Molnar tem duas filhas, Mónica (Julissa) e Aimeé (Jacqueline Andere). Mónica torna-se freira, despeitada porque sua irmã vai se casar com o homem que ama, seu primo Renato (Enrique Álvarez Félix), meio irmão de Juan.

Aimeé tem uns encontros com Juan del Diablo e aproveita uma de suas viagens para se casar com Renato. Quando Juan volta e se dá conta que Aimeé se casou com Renato fica furioso por haver sido enganado e a única coisa que deseja é roubar a esposa de seu meio irmão.

Mónica visita sua irmã e percebe que esta tem um caso com Juan. Fala com ambos e os repreende, porém nenhum dos dois lhe dá atenção. Juan a chama Santa Mónica. Certa noite, Juan e Aimeé se encontram. Renato já suspeita e vai procurá-los. Mónica, para evitar uma tragédia, se adianta e Renato a surpreende com Juan. Acreditando que são amantes, os obriga a se casar. Mónica suplica a Juan que a devolva ao convento, mas Juan a rapta e a leva em seu barco pelo Caribe, onde pouco a pouco Mónica começa a deixar para trás o medo que Juan lhe causa e começa a descobrir a bondade que o pirata traz consigo, levando-a, finalmente, a descobrir o verdadeiro amor.

Dois anos após o sucesso mexicano, outro filme é lançado em 1968. Agora adaptado por Edmundo Baez e com a produção de Felipe Supervielle, contava com as atuações protagônicas de Angélica María, Julio Alemán, Tere Velázquez e Manuel Gil. Para os viram, esse filme é o mais apegado aos livros de Caridad Bravo Adams, mesmo que estes não sejam representados em sua totalidade nos 90 minutos que dura a produção.

Passaram-se mais nove anos e, em 1977, Ernesto Alonso volta ao mar e produz uma das versões mais recordadas do melodrama, novamente com Angélica María no papel de Mónica, Martín Cortés, como Juan del Diablo, Susana Dosamantes, como Aimeé e Fernando Allende, como Renato.

Dizem que esta versão foi uma telenovela acidentada, já que Angélica María, a “namoradinha da América” andava insuportável nos estúdios de gravação, onde não simpatizava muito com Cortés. Para piorar, os beijos eram escassos a tal ponto de muitos perguntarem quando Mónica daria um beijo em Juan. No entanto, a telenovela funcionou graças a mão de Alonso que, como todo bom produtor, soube levar sua história adiante.

A telenovela foi um êxito em muitos países e foi vendida para a Europa, não como alguns dizem que somente a terceira versão foi a única a ser vendida. Menção à parte, merece Susana Dosamantes, quem levou os aplausos por sua atuação como Aimeé nesta versão, não somente por seu talento, mas pela beleza que irradiava. Ela ficou marcada por esta personagem e mesmo protagonizando outras tramas da Televisa não brilhou como nesta produção.

Corazón salvaje, de 1977, teve 168 capítulos de 30 minutos e foi a primeira telenovela mexicana a ter uma trilha sonora original, produzida pela Fundación Cultural Televisa e o grande Armando Manzanero. Os intérpretes eram completamente desconhecidos, mas souberam cativar com elegância os telespectadores dessa história. Essa versão foi, também, a primeira história mexicana que deu o que falar quanto ao gênero de piratas, mar e anti-heróis.

Após dezesseis anos, em 1993, novamente a história de Juan del Diablo, Mónica, Aimeé e Renato volta às telinhas mexicanas, e sem dúvida na melhor e mais recordada das versões, desta vez produzida por José Rendón, tendo Eduardo Palomo, Edith González, Ana Colchero e Ariel López Padilla interpretando o quarteto amoroso.

Adaptada por María Zarattini, a telenovela levou Eduardo Palomo ao status de galã internacional e Edith González a de beleza de exportação. Ambos obtiveram muito sucesso na Itália, entre muitos outros países. Também atuaram nesta produção César Évora, Yolanda Ventura Azucena, Luz María Aguilar, Julio Monterde, Maribel Palmer e Mónika Sánchez.

O produtor José Rendón soube aproveitar do talento de Eduardo Palomo e Edith González para moldar essa mescla de amor e erotismo dentro das intrigas e maldades presentes dentro da história de Caridad Bravo Adams. María Zarattini fez algumas modificações na história original, começando pela ambientação.

As versões anteriores estavam ambientadas nas ilhas francesas do Caribe, já nesta, a história foi situada na costa mexicana, especificamente em Puerto Vallarta. Os sobrenomes franceses também foram modificados por espanhóis, Molnar por Altamira e D'Autremont por Alcázar y Valle. Assim, Edith González era Mónica de Altamira e Ana Colchero era Aimeé de Altamira, no lugar do sobrenome original Molnar. Já Ariel López Padilla como Andrés Alcázar y Valle no lugar do original Renato D'Autremont.

Essa versão de 1993 foi a única a ser exibida aqui no Brasil, quando chegou em 1997, com o nome de Coração selvagem, pela Rede CNT/Gazeta, que a exibiu no período noturno e voltou a reprisá-la pouco tempo depois no período da tarde. Posteriormente, em 2000, a história voltaria, mas dessa vez, pelo SBT, substituindo a reprise de A usurpadora no horário das 17h00.

Recentemente em 2009, cinquenta e três anos após a estreia da história nos cinemas mexicanos, a trama de Caridad Bravo Adams voltou à televisão do país azteca, nessa ocasião sob a produção de Salvador Mejía, que convidou Eduardo Yáñez, Aracely Arámbula e Cristian de la Fuente para interpretar os papéis que consagraram os grandes intérpretes da teledramaturgia mexicana décadas atrás. Nessa versão, a história original foi mesclada por Liliana Abud com outra telenovela: Eu compro essa mulher, de Olga Ruilópez.

Porém, a telenovela que ocupava o horário nobre do Canal de las estrellas e que prometia causar uma revolução na audiência da emissora não foi bem recebida pela crítica. A maioria das opiniões coincidiam ao dizer que Eduardo Yáñez, já não tinha idade, nem físico ideais para realizar tal personagem e que Aracely Arámbula na tinha a qualidade interpretativa necessária. Segundo alguns críticos, o erro deveu-se à combinação de duas telenovelas, resultando em nem uma, nem outra.

O mesmo público não se deixou convencer pelas irmãs gêmeas interpretadas por Aracely Arámbula, realizando os respectivos papéis de má e heroína, tampouco pela atuação de Eduardo Yáñez, personificando o papel que consagrou o falecido Eduardo Palomo.

Apesar dos altos e baixos, o produtor Salvador Mejía agradeceu ao público pela sintonia e que mesmo com questionamentos, Corazón salvaje não se saiu tão mal, alcançando, no México, uma audiência que chegava à casa dos 25 a 27 pontos.
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2 comentários:

Anônimo disse...

A versão de 2009 de CS é medonha, os personagens parecem caricaturas. A melhor é a de 1993. Porém, a de 77 também ficou muito boa.

Livia Vargens disse...

A versão de 93 é primorosa, contudo, s de 2009, pavorosa! Beira o ridículo. Livia