segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Do original ao remake: Triunfo del amor


O ano era 1985, o país era a Venezuela e os protagonistas eram Jeanette Rodríguez e Carlos Mata. Esses foram os elementos que descreveram Cristal, uma das grandes histórias de Delia Fiallo, originalmente produzida pela RCTV, cativando milhares de telespectadores ao redor do mundo. Esta produção é considerada uma das telenovelas mais importantes de todos os tempos.

Após o grande sucesso de Topázio, a RCTV voltaria a realizar sua segunda produção de êxito, novamente com Delia Fiallo, que voltaria a escrever uma história memorável, que se consolidaria com o grande acerto de reunir o melhor do talento venezuelano. Assim nasceu Cristal, um sucesso indiscutível dos anos oitenta.

Victoria Ascanio (Lupita Ferrer), a bela e próspera designer de moda, dona da Casa Victoria, decide procurar sua filha que abandonou anos atrás. Ao mesmo tempo, Cristina (Jeanette Rodríguez), que é sua filha deixada no orfanato, se muda a um apartamento com outras duas garotas, Inocencia (Mariela Alcalá) e Zoraida (Lourdes Valera), pronta para cumprir seu sonho de tornar-se modelo.

Sem saber que é sua filha, Victoria dá emprego a Cristina e quando esta já esta no caminho do sucesso, Victoria descobre que sua nova modelo e Luis Alfredo (Carlos Mata), seu enteado, estão namorando. No auge de sua carreira, Victoria despede Cristina e Luis Alfredo se casa com sua antiga namorada Marion (Marita Capote), que diz esperar um filho dele, o qual não chegará a nascer e mais tarde se saberá que é de outro homem, Gonzalo Pallares (Jorge Palacios).

O ódio de Victoria por Cristina e suas amigas aumenta quando descobre-se que seu marido, Alejandro (Raúl Amundaray), mantém uma relação adúltera com Inocencia, amiga e companheira de Cristina. Apesar disso, Cristina e Alfredo, após muitos problemas, poderão cristalizar seu amor.

Cristal teve um brilhante roteiro, que não somente centralizou-se na história de amor do casal protagônico, Cristina e Carlos Alfredo, mas também nos altos e baixos pelos quais passavam a família Ascanio e seu laço com os amigos de Cristina. O grande talento artístico aí reunido e o detalhamento do roteiro permitiram observar bons momentos na trama, como a separação das três amigas, um dos grandes momentos da história graças aos diálogos cheios de dramatismo e sentimento, somente comparado em popularidade e talento com as duas amigas Solange e Fátima de Vale tudo, realizada pela Rede Globo, em 1988.

O México nunca chegou a ver Cristal. Eram outros tempos, não havia televisão a cabo, muito menos Internet, e as histórias venezuelanas quase nem chegavam às emissoras mexicanas, em parte devido ao nacionalismo enraizado e ao monopólio que a Televisa possuía nessa época. Apenas Topázio e, algum tempo depois, Abigail, obtiveram êxito na capital mexicana.

Porém, a princípio dos anos noventa, as histórias de Delia Fiallo foram, em sua totalidade, adquiridas pela Televisa. Com isso, as adaptações para a televisão mexicana aconteciam uma após a outra.

Desse modo, após o êxito mexicano Esmeralda, a Televisa realizou O privilégio de amar, adaptação do sucesso venezuelano Cristal, produzida por Carla Estrada em 1998, dirigida por Miguel Córcega e Mónica Miguel, adaptada por Liliana Abud e protagonizada por Adela Noriega, René Strickler, Helena Rojo, Andrés García e César Évora, tendo como antagonistas Cynthia Klitbo, Enrique Rocha e Marga López. A telenovela foi um sucesso em vários países.

A história dessa primeira adaptação mexicana, que foi exibida no Brasil em três ocasiões, 1998, 2002 e 2008, nos apresenta ao jovem seminarista João da Cruz (César Évora), que chega de visita à casa de sua mãe, Ana Joaquina (Marga López), uma fanática religiosa que sempre impôs sua vontade sobre seu filho e lhe inculcou a vocação sacerdotal.

Na casa de Ana Joaquina trabalha a jovem Luciana (Edith Márquez), uma garota sonhadora e inocente que se apaixona por João da Cruz. Certa noite, levados pela paixão da juventude, se entregam com ternura e, ao saber, Ana Joaquina despede Luciana, que nesta ocasião já esperava um filho de João da Cruz. Após dar a luz, Luciana deixa sua filha nas portas de uma casa, com a esperança de que seja criada ali, mas a menina é levada a um orfanato. Para sobreviver, Luciana se envolve com muitos homens perigosos, entre eles, Pedro Trajano (Pedro Weber "Chatanuga"), um terrível homem que lhe golpeia e abusa.

Anos depois, Cristina (Adela Noriega), a filha de Luciana, cresce feliz no orfanato, mesmo com a curiosidade de saber quem é sua mãe. Por outro lado, Luciana (Helena Rojo) é dona de uma popular casa de modas, e esposa do reconhecido ator André Duval (Andrés García), com quem tem dois filhos, Elizabeth (Adriana Nieto), que é filha de ambos e Víctor Manuel (René Strickler), seu enteado, que se apaixona perdidamente por Cristina, mesmo com tantos obstáculos que os separam.

Se bem O privilégio de amar foi um êxito, sua história não esteve à altura do original venezuelano. Liliana Abud não soube captar a irmandade e o companheirismo das três amigas Cristina, Lourença (Sabine Moussier) e Magnólia (Isadora González). Em todo o caso, o acerto da roteirista foi dar um protagonismo inusitado a dona Joaquina, o que não ocorreu no original venezuelano, permitindo o brilhante desempenho de Marga López, que ofuscou seu clone venezuelano, dona Luisa, interpretada pela atriz Zoe Ducós.

Também brilhava a beleza e destacada espontaneidade de Adela Noriega, que estava no auge de sua carreira. Lástima que René Strickler não esteve à altura das circunstâncias. A par de Marga López, também destacou-se Cynthia Klitbo, que brilhava como vilã. Em linhas gerais, igualmente ao original venezuelano, a Televisa recorreu a um grupo de grandes atores que, em conjunto, deram qualidade, talento e fidelidade aos fãs de todo o mundo. Porém, apesar de todo o êxito de O privilégio de amar, não se discute a versão de Cristal, que continua sendo insuperável.

Passam-se 21 anos após o  sucesso de Cristal e, em 2006, o  SBT realiza uma versão, dessa vez abrasileirada, retomando o título original Cristal, dirigida por Del Rangel, Jacques Lagôa e Herval Rossano, protagonizada por Bianca Castanho, Dado Dolabella, Bete Coelho e Giuseppe Oristanio.

Em Cristal, Vitória Ascânio (Bete Coelho) é a proprietária da Casa Vitória, prestigiada grife de alta costura. Mas quem a conhece jamais suspeita de seu passado. Há 22 anos, Vitória era uma humilde empregada doméstica na casa de dona Luísa (Eliana Gutman), mãe de Ângelo de Jesus (Victor Wagner), um jovem com vocação religiosa.

Vitória e Ângelo viveram um amor impossível na juventude, que resultou numa gravidez indesejada. Humilhada pela tirana Luísa, Vitória foi expulsa da casa da patroa e, ao dar à luz uma menina, resolveu abandoná-la na porta da casa de uma família com mais recursos. A família, porém, entregou o bebê ao orfanato Bom Pastor.

Criada por freiras, a menina Cristina (Bianca Castanho) tornou-se uma jovem com sólida formação moral. Trabalhando em um banco, a moça alimenta, na verdade, o sonho de ser modelo. É este é o sonho que irá reaproximar mãe e filha, já que Cristina é contratada por Vitória para ser uma de suas modelos.

Em pouco tempo, Cristina torna-se Cristal, uma das principais modelos da Casa Vitória, e desperta o interesse de João Pedro (Dado Dolabella), o enteado mulherengo de Vitória. Inocente, a jovem acaba grávida e despedida por conta do romance, já que o rapaz é noivo da interesseira Marión (Marisol Ribeiro).

O SBT investiu muito na trama, com 56 atores no elenco, a emissora desembolsava cerca de 190 mil reais em cada capítulo, além disso, Cristal foi a primeira telenovela da emissora a ser gravada com câmeras digitais de alta definição, que custaram em média 1,2 milhão de reais.

A casa chamou Herval Rossano para ser o diretor de núcleo, mas este criou muita confusão. Primeiro, Rodrigo Veronese estava escalado para ser o par romântico de Cristina, o João Pedro, mas Herval resolveu escalar Dado Dolabella no lugar de Rodrigo para protagonista, e as cenas do primeiro capítulo foram regravadas.

Rodrigo ficou sem espaço na trama. Resultado: Dado Dolabella chegava atrasado às gravações e às vezes nem tinha o texto decorado. A falta de competência do ator foi um dos principais motivos do mal acompanhamento da telenovela pelos telespectadores. Herval foi afastado como diretor de núcleo, ficando sem cargo. Assumiu o posto David Grinberg, mas nada adiantou. Bianca Castanho fez o melhor possível para alavancar a trama, mas não conseguiu subir a audiência. Em sua estreia, Cristal chegou a picos de 12 pontos, com 9 de média, mas em virtude do fracasso que obteve ao decorrer dos capítulos foi encurtada, tornando-se um fiasco.

Agora em 2010, novamente a Televisa volta às origens venezuelanas e produz Triunfo del amor, estreada há quase um mês pelo Canal de las estrellas. Essa nova produção está a cargo de Salvador Mejía, que novamente nos traz o casal formado por Maite Perroni e William Levy, ambos muito queridos no México e no Brasil, como os protagonistas da trama.

Levy já é um ator consagrado após o êxito que obteve em Sortilegio, enquanto que Maite Perroni, a ex-RBD, tem obtido vários papéis protagônicos, todos bem-sucedidos em seu país natal.

Triunfo del amor, conta a vida de Victoria (Victoria Ruffo, que outra vez protagoniza uma história com seu próprio nome), uma humilde empregada que se apaixona pelo jovem da casa onde trabalha. No entanto, esse sentimento de afeto que sente por ele está proibido, já que Juan Pablo (Diego Olivera) está a ponto de entregar sua vida à Deus e consagrar-se como sacerdote.

Dias antes de entrar para o seminário, Juan Pablo tem um encontro amoroso com Victoria, que fica grávida. Sem saber, ele se dirige a uma congregação de sacerdotes para torna-se padre. Vitoria recorre a Bernarda (Daniela Romo), para lhe contar sua situação, e esta, ao se dar conta do estrago, a golpeia, humilha e a mete no olho da rua. Victoria, em um momento de fome e loucura, deixa sua filha na porta de um orfanato.

O tempo passa e por azar do destino, María Desamparada, (Maite Perroni), com um cartão de  Osvaldo (Osvaldo Ríos), o marido de Victoria, pede trabalho a esta, que decide contratá-la como modelo, ignorando que é a filha que tanto tem buscado. Victoria pensa que seu esposo está sendo infiel com María, e por isso a aceita como aspirante com o objetivo de descobrir o adultério.

Victoria humilha e maltrata María Desamparada todo o tempo. Por sua parte, Antonieta (Erika Bienfil), que tem estado ao lado de Victoria desde que perdeu a menina, lhe reprova pelo tratamento que dá a jovem. Victoria não sabe explicar os sentimentos que lhe desperta María Desamparada, pois, por um lado, deseja abraçá-la e, por outro, a rejeita.

Enquanto isso, Maximiliano (William Levy) conhece María Desamparada na casa de modas de Victoria e esconde quem na verdade é. Imediatamente nasce entre eles uma atração poderosa que, posteriormente, se tornará um grande amor, que levará a jovem garota a se entregar a Maximiliano.

Pouco tempo depois, María Desamparada descobre que está grávida e quando pretende dizê-lo a Maximiliano, este se adianta e lhe diz que tem que se casar com Jimena (Dominika Paleta), que está grávida. María Desamparada descobre que Maximiliano estava lhe enganando e esconde sua gravidez.
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5 comentários:

Andy disse...

Eu adoro as versões que a Televisa faz das tramas venezuelanas, de verdade. Prova disso, gostei muito de
ESMERALDA, O PRIVILÉGIO DE AMAR, MENINA, AMADA MINHA, MAR DE AMOR e TRIUNFO DEL AMOR, etc. Esses remakes foram maravilhosos.

Anônimo disse...

Ustedes estan locos.El Triunfo del Amor es una reverenda PORQUERIA con maiusculas... y la verdad es que esa zorra de Maite Perroni jamas sera como Lupita Ferrer(Cristal) y Helena Rojo(El Privilegio de Amar).

Anônimo disse...

Eu não entendo como há pessoas que ainda acham TRIUNFO DO AMOR melhor que seus originais, vão dizer que é por causa do Willian e da Maitê, mas nada a ver, O PRIVILÉGIO DE AMAR será sempre melhor e mais bem elaborada, se bem que já passou da hora da Televisa correr atrás de outros escritores para produzir novelas diferentes, que não sejam "remakes"...

Anônimo disse...

Eu achei triunfo del amor uma das melhores vversões
Adoro o casal Maitê Perroni e William Levy.

Anônimo disse...

Sempre remakes, remake dessa novela, remake daquela...
Primeiro Cristal, anos depois O privilégio de amar, dez anos depois já fizeram Triunfo do Amor, daqui ha cinco já vão fazer outro remake da mesma história, cara vira o disco, a Televisa precisa de novos autores, que produzam novelas novas, histórias que ainda não existam, não pode ser tão difícil assim, ainda mais para a Televisa que é uma das maiores cadeias de teleisão do mundo...