quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Do original ao remake: A usurpadora


Corriam os anos cinquenta quando em Cuba se escutava pelo rádio a história de duas irmãs gêmeas separadas ao nascer e reencontradas pelo destino, uma, exemplo do bem, e outra, do mal. A história original de Inés Rodena teve tanto êxito na rádio cubana que transcendeu fronteiras.

Com a Revolução Cubana, a princípio dos anos sessenta, muitos autores saíram de seu país por não estar de acordo com o socialismo ditatorial ao qual seriam submetidos, entre eles estava Inés Rodena, que fugiu com uma boa quantidade de suas histórias e se estabeleceu em Miami com grande parte de sua família, pretendendo vender seus roteiros à Venezuela, que já decolava na produção de telenovelas.

A RCTV, na pessoa do diretor Juan Lamata, foi quem se interessou neste libreto, vendo muitas possibilidades de impacto entre o público. Inés duvidada que essa radionovela pudesse ser levada à televisão, já que seriam necessárias duas atrizes idênticas para interpretar as personagens, o que ela não imaginava é que, apesar da precariedade de recursos da época, Juan Lamata, a atriz Marina Baura e a RCTV enfrentariam o desafio.

Em 1971, vai ao ar a primeira versão para televisão de La usurpadora, protagonizada por Marina Baura e Raúl Amundaray, adaptada por Ana Mercedes Escamez, que recebia de Inés oito cenas diárias e as transformava em um total de dezessete, com a adaptação.

O sucesso em preto e branco ainda é recordado até hoje, Marina, excelente ao interpretar a mulher dupla  nos gestos, na voz, na maneira de andar, tudo fez para brilhar como atriz. De costas, Marina era duplicada pela atriz Helianta Cruz, que na telenovela interpretava a intrometida empregada da família Bracho.

Em 1981, após vários anos vendendo suas obras para a Televisa, do México, é produzida uma segunda versão intitulada El hogar que yo robé, que obteve os benefícios da televisão a cores, e cenas externas. Com roteiros adaptados pelo escritor Carlos Romero, uma ou outra vez, o produtor Valentín Pimstein quis modificar a história, introduzindo cenas de violência ou mortes para obter destaque no horário noturno. Romero, que não aceitava destruir tão boa história, se negava e de fato abandonou o projeto.

Daí em diante, o escritor Enrique Jarnes assumiu e continuou a adaptação, modificando a história que não recebeu boa resposta do público como se esperava, uma pena para figuras que antes haviam desfrutado do êxito, como Angelica María e Juan Ferrara.

Em 1986, a RCTV volta a produzir um remake desta história, agora com o título de La intrusa, com Mariela Alcalá e Víctor Cámara, alcançando melhor repercussão que El hogar que yo robé, mesmo não se tornando um fenômeno de audiência. A trama teve de ser modificada e a telenovela, que havia iniciado no horário nobre, teve de ser movida para o horário da tarde.

Em 1998, o produtor Salvador Mejía decide por produzir outra versão mexicana, retomando o título que tanto êxito havia obtido. Adaptada do começo ao fim por Carlos Romero, este queria Thalía como protagonista, mas esta, sentindo-se insegura, na aceitou interpretar o duplo papel. Vários nomes foram cogitados, mas enfim a protagonista escolhida por Romero foi sua compatriota, a venezuelana Gabriela Spanic, que com esta telenovela alcançou o sucesso mundial. Até o presente, essa versão é considerada outro clássico, tal como a protagonizada muitos anos atrás por Marina Baura.
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3 comentários:

Carol Guimarães disse...

Adorei o texto *-* não sabia que a novela tinha sido primeiramente transmitida por rádio, muito legal, Parabéns.

Anônimo disse...

parabéns pelo texto , muito rico em informações .

Elaine Lima disse...

Parabéns pelo a história da novela não sabia de td isso amei o texto bem contado.