domingo, 25 de julho de 2010

Entrevista com Juan Soler

O ator argentino Juan Soler protagoniza Cuando me enamoro, a nova versão de A mentira. Após permanecer distante das telenovelas há vários anos, Juan Soler regressa à telinha ao lado de Silvia Navarro.

Juan Soler, de 44 anos, tem desenvolvido sua carreira profissional no México desde 1991, onde já participou de telenovelas como Acapulco, cuerpo y alma, Canavial de paixões, María Emilia, querida, Carinha de anjo, Sin pecado concebido, A outra, Bajo la misma piel, Apuesta por un amor, A feia mais bela, Palabra de mujer e, agora, protagoniza Cuando me enamoro.


Juan, como é seu personagem em Cuando me enamoro?

Jerónimo Linares é um homem que está completamente alienado de tudo o que está acontecendo em sua cidade natal e, de repente, seu irmão o chama para que venha pedir a mão de sua pretendente, aí aparece uma série de mentiras que envolvem esse homem, e, para piorar, ele se apaixona justamente pela pessoa que está entre todas estas mentiras.


É uma interpretação intensa?

É sim. É um personagem que se torna muito contraditório, com profundos sentimentos que se encontram, ama com loucura e com paixão a mesma pessoa que odeia profundamente, é um personagem muito complexo e é um grande desafio fazê-lo.


Como é estar trabalhando ao lado de Silvia Navarro?

É divertidíssimo, é incrível trabalhar com Silvia, além de ser uma extraordinária companheira na hora das cenas, é uma pessoa muito confiável, com quem posso compartilhar muitas experiências  pessoais sem medo de que possa ser mal interpretado, isso define uma boa amiga.


E como tem sido a resposta do público?

É impressionante a resposta do pessoal, estamos muito contentes; desde o dia em que a telenovela estreou tem tido boa audiência, e, com o passar dos dias, a história melhora, prendendo o público.


Por que não podemos perder Cuando me enamoro?

Estamos trabalhando com muito entusiasmo. E creio que continuaremos indo muito bem, porque lendo os capítulos você fica impressionado. Temos ótimas expectativas, porém, somente quando isto for ao ar e tomar uma verdadeira dimensão é que veremos como está indo o projeto.


Qual é a fórmula para que as pessoas fiquem presas à trama?

Todas as histórias de amor já estão sendo contadas, o fato é quem conta e como as conta; temos em nossas mãos uma história sensacional, uma adaptação livre que está muito bem feita. Temos alguns antecedentes, porque a história começa há 24 anos atrás, o que não ocorreu nas adaptações que já haviam sido feitas até então. São ingredientes que contribuem com a atração da telenovela, para que as pessoas digam: Caramba!, tenho que vê-la.


Como você se iniciou na atuação?

Por casualidade. Eu trabalhava como modelo e me convidaram para participar, como modelo, em um filme; eu não estava indo como ator, nem pelo estilo, somente marcaria presença na gravação. Lá me dei conta do trabalho dos atores e tive a oportunidade de conversar com um deles; vi as mudanças que uma pessoa pode experimentar, desde o lugar onde estávamos conversando até onde estavam as câmeras, e isto me maravilhou. A partir de então, pensei na possibilidade de que se pode viver muitas vidas em uma só, e que isso poderia alcançar através da atuação.


Por que você decidiu trabalhar no México?

Certa vez, estava em um casting e me deparei com uma revista de economia; ao folheá-la encontrei um artigo que falava sobre a maior televisão de língua espanhola do mundo: a Televisa. Então eu disse: para que me digam se nesta carreira eu sirvo ou não, que me diga o maior. Comprei uma passagem e vim com 300 dólares na carteira para bater na porta da Televisa.


Qual é ambiente em que você trabalha mais à vontade?

Seria injusto se os separasse e tivesse uma preferência por algum. Gosto do teatro e da televisão pelo que cada forma de expressão contribui comigo como pessoa. O teatro é uma comunicação direta com o público, é um equivocar-se e salvar-se do equívoco ao mesmo tempo, é estar sempre alerta, sempre experimentando novas sensações e sentimentos. É difícil a tarefa de repetir as mesmas falas em 500 apresentações e ir descobrindo que cada uma delas é nova para mim e para o público; também é uma disciplina muito grande, então o teatro me enriquece muitíssimo. A televisão é uma guerra com toda a bagagem técnica que implica: como cuidar de três câmeras, das luzes, das sombras, de não tapar seu companheiro, de não lhe dar as costas, de não cruzar o eixo, de que se veja bem e naturalmente. São desafios, nenhum mais fácil ou mais difícil, você vai desenvolvendo a capacidade para poder se mover em qualquer um destes ambientes. Do cinema não posso falar porque ainda não pude intervir realmente dentro de um filme.


O seu físico tem te ajudado a desempenhar bem seu trabalho e nem tanto a conseguir personagens?

Não. Acredito que o contrário. Estou convencido de que se não fosse pela imagem que tenho nunca teria conseguido um papel protagônico, mas veja que mesmo a um protagonista pode chegar qualquer coisa, o segredo é aceitar. Eu acredito que, no meu caso, inclusive tive a oportunidade de chegar até aqui talvez pelo meu físico, mas, digam o que digam, finalmente estou aqui no México; estou aprendendo, estou ocupando o lugar que me dão as pessoas, os produtores, os diretores, meus companheiros e a imprensa. No entanto, estou chegando pouco a pouco e o dia que ver que já cheguei, me retiro.


Como você era na infância?

Era muito inquieto pelo esporte, pratiquei quase todos que existiam em minha cidade, era um garoto um pouco reservado, mas, às vezes, muito bom amigo. De fato meu comportamento era muito contraditório; fui um menininho com muita disciplina, não gostava de faltar no colégio, podia ir doente para assistir aula porque era aí onde via meus amigos, então gostava muito de ir a escola.


Sente falta de seu país, a Argentina?

Sinto falta do que me envolve. Aí está as pessoas que eu amo, mas da terra em si não sinto falta, do que realmente sinto saudades são os sentimentos. Há melancolia e nostalgia ao mesmo tempo; nostalgia porque todo o meu passado está lá, um presente que já não existe e um futuro muito improvável, então tudo isto me produz melancolia e nostalgia, porque não posso fazer nada para tratar das situações desfavoráveis que minha família e meu lugar já viveram. São muitos sentimentos que se encontram.


Colaboração: Gaceta, Dulce Paraíso
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