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terça-feira, 6 de abril de 2010

A cronologia da telenovela - Parte 3

1970

No decorrer da década, se estendem pelo continente tecnologias que conduzem à transformação da linguagem televisiva: miniaturização de equipamentos de gravação, de vídeo e som; a gravação em video-tape e a transmissão em cores. A miniaturização permite incrementar a quantidade de cenas externas, e por sua vez, o abandono do estúdio, dando maior variedade aos ambientes e à agilidade do relato. Uma das consequências imediatas além da maior experiência que iam adquirindo escritores, diretores e técnicos, foi a capacidade de se estruturar novos roteiros com maior complexidade e de se alcançar um maior desenvolvimento na elaboração de tramas secundárias.

Particularmente, a televisão a cores foi uma das mudanças mais significativas desde a origem da indústria audiovisual, uma de suas consequências imediatas foi a possibilidade de se codificar os caracteres segundo sua cor (vestimentas ou ambientes), assim como o incremento de cenas filmadas externamente, aproveitando-se a beleza de paisagens ou ambientes específicos. Paralelamente a isso, cresce a quantidade de televisores por habitante, aumentando a área de cobertura do sinal televisivo; a introdução do satélite aumenta a qualidade de transmissão e recepção dos sinais. Todos estes fatores contribuíram para que se estabelecesse melhores condições para a produção, transmissão e recepção das telenovelas, assim como sua maior rentabilidade. Sobretudo, descobriu-se também a necessidade de se introduzir faixas horárias correspondendo os interesses e tipos de públicos.


1970 – VENEZUELA

Venevisión consegue grande êxito com Esmeralda, de Delia Fiallo, e funda em Miami sua distribuidora internacional, Televisión Latina, hoje Venevisión Internacional.


1970 – BRASIL

Irmãos Coragem, escrita por Janete Clair e produzida pela Rede Globo, é exibida em vários países da América Latina, inclusive em um canal portorriquenho em Nova York.


1970 – PERU

Natacha, realizada por Panamericana Editora, alcança um novo êxito para a indústria peruana. Escrita por Abel Santacruz, produzida por Vlado Rodovich e dirigida por Carlos Barrios Porras.


1972 – ARGENTINA

Rolando Rivas, taxista, escrita por Alberto Migré, se torna o primeiro grande êxito da telenovela argentina. O trabalho do protagonista dava grande flexibilidade para seu roteirista incluir no relato os mais diversos tipos da sociedade argentina da época, além de permitir o desenvolvimento de grande parte das ações em externas.


1972 – MÉXICO

É realizada a telenovela histórica El carruaje, em homenagem ao centenário da morte de Benito Juárez. História original de Carlos Henrique Taboada, adaptada por José Antonio Monsell, dirigida por Ernesto Alonso e produzida para a Televisa por Miguel Alemán Velasco. Ainda hoje é considerada uma das grandes obras de seu estilo realizadas no continente.


1973 – BRASIL

O capítulo final de número 152 da telenovela Selva de pedra, escrita por Janete Clair e produzida pela Rede Globo, obtém 100% de audiência nos estúdios de rating.


1973 – PORTO RICO

Vai ao ar El hijo de Angela María, original de Enrique Jarnés e com a direção de Raúl Nacer. Foi produzida por Esther Palés para a Telemundo, canal 2. Teve grande êxito nacional e também foi transmitida em outros países, inclusive, mereceu uma versão em filme, realizada igualmente em Porto Rico, em 1975. Curiosamente, apesar disso, a partir daí passam-se quatro anos sem que se produza outra telenovela na ilha.


1974 – VENEZUELA

Doña Bárbara, adaptação de José Ignacio Cabrujas e Salvador Garmendia sobre o romance de Rómulo Gallegos, se torna a primeira telenovela produzida no país a ser exportada para a Europa.


1977 – BRASIL

A Rede Globo produz A escrava Isaura, versão de um romance do século 19 do escritor Bernardo Guimarães. Adaptação de Gilberto Braga, com direção geral de Herval Rossano e Milton Gonçalves. Se tornou um verdadeiro fenômeno transnacional que impactou audiências nos mais de 80 países em que foi exibida, marcando o início da conquista do mercado externo por parte da Rede Globo.


1977 – VENEZUELA

Em 24 de maio de 1977, Radio Caracas Televisión começa a transmissão de La hija de Juana Crespo, original de Salvador Garmendia e considerada a primeira telenovela cultural escrita e concebida especialmente para a televisão. Neste mesmo ano, La señora Cárdenas, se torna um grande êxito, escrita por José Ignacio Cabrujas. Ao apresentar como protagonista uma simples dona-de-casa cujo crescimento como ser humano é consequência de seu divórcio com o marido machista, a obra rompeu com os estereótipos do romance rosa e igualmente contribuiu para fixação de um novo ideal feminino.


1977 – PORTUGAL

Gabriela, produção baseada no célebre romance de Jorge Amado, Gabriela, cravo e canela, se torna a primeira novela brasileira a ser transmitida em Portugal pelo canal RTP. Escrita por Wálter George Durst e com direção de Walter Avancini.


1978 – BRASIL

A Rede Globo consegue um novo êxito com Dancing days, escrita por Gilberto Braga e sob a direção de Daniel Filho. A novela apresentou um ambiente plenamente urbano, com discotecas e shoppings, associado à modernização do Brasil. Este foi um de seus grandes motivos de conexão com o público e se tornou o primeiro grande exemplo de que os benefícios comerciais resultam do uso do merchandising.


1979 – COLÔMBIA

Manuelita Sáenz se torna a primeira telenovela de época realizada na Colômbia.


1979 – MÉXICO

Los ricos también lloran, realizada pela Televisa, se torna a telenovela que marca o início da conquista do mercado global pelas produções mexicanas. Este exemplo de uma clássica história rosa, filmada quase que inteiramente em estúdio, resultou em um enorme êxito que rendeu benefícios monetários à Televisa. Com roteiro inspirado em várias radionovelas da escritora Inés Rodena, com produção de Valentín Pimstein e direção de Rafael Banquells.
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